Durante muito tempo, acreditava-se que os neurônios eram células que só morriam — o cérebro adulto não criaria novos. Hoje sabemos que isso é mito. O cérebro tem a capacidade de se reorganizar e adaptar ao longo de toda a vida — o que chamamos de neuroplasticidade. E em regiões específicas, como o hipocampo, até surgem novos neurônios — num processo chamado neurogênese.
A questão é: o que favorece — ou prejudica — esses processos? E como a fotobiomodulação entra nessa história?
O que é o BDNF e por que ele importa?
O BDNF (do inglês Brain-Derived Neurotrophic Factor — Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro) é uma proteína produzida no próprio cérebro que age como um "adubo" para os neurônios. Ele:
- Estimula o crescimento e a sobrevivência dos neurônios
- Favorece a formação de novas conexões (sinapses)
- Apoia a neurogênese no hipocampo
- Está diretamente ligado à memória, ao aprendizado e ao humor
Níveis baixos de BDNF estão associados a depressão, Alzheimer, declínio cognitivo e outras condições neurológicas. Por outro lado, aumentar o BDNF é um dos mecanismos pelos quais exercícios físicos, antidepressivos e — sim — a fotobiomodulação melhoram a saúde mental.
Como a fotobiomodulação aumenta o BDNF?
Quando a luz infravermelha penetra o tecido cerebral, ela dispara uma cascata de reações nas mitocôndrias dos neurônios. Esse aumento de energia celular (ATP) ativa fatores de transcrição — "botões" que ligam genes dentro da célula. Entre os genes ativados estão aqueles responsáveis pela produção de BDNF e outras neurotrofinas.
O resultado é um ambiente cerebral mais favorável ao crescimento, à reparação e à sobrevivência neuronal.
A fotobiomodulação "liga" genes dentro dos neurônios que mandam produzir BDNF — a proteína que cuida do cérebro por dentro. Mais BDNF significa neurônios mais saudáveis, conexões mais fortes e um cérebro mais resistente.
E a neuroproteção?
Neuroproteção é a capacidade de proteger os neurônios contra danos. A fotobiomodulação contribui para isso de várias formas:
- Reduz a apoptose — a "morte programada" dos neurônios fica menos frequente
- Diminui o estresse oxidativo — menos radicais livres danificando as células
- Combate a neuroinflamação — menos inflamação significa menos dano neuronal
- Apoia a drenagem cerebral — favorece a limpeza de resíduos metabólicos que se acumulam e contribuem para doenças neurodegenerativas
Esses mecanismos são especialmente relevantes em condições como Alzheimer, Parkinson e outras doenças neurodegenerativas — não como cura, mas como estratégia de suporte e proteção ao longo do tempo.
Por que isso importa para a saúde mental?
Depressão, ansiedade e estresse crônico são associados à redução do volume do hipocampo — a região do cérebro central para memória e regulação do humor. Aumentar o BDNF, estimular a neurogênese e proteger os neurônios são metas que se sobrepõem diretamente ao tratamento dessas condições.
É por isso que a fotobiomodulação não age só no sintoma — ela trabalha na biologia do cérebro, criando condições para uma recuperação mais duradoura.
"Quando falamos em neuroplasticidade, estamos falando em esperança. O cérebro pode mudar. Pode se recuperar. Cabe a nós criar as condições para que isso aconteça." — Dra. Carla Prado

